3. Um clube em formação

A primeira reunião aconteceu na casa de Alcir, no café-da-manhã. Havia convidado os companheiros que tinham sido presidentes em seus respectivos clubes no mesmo período que ele.

Nessa manhã falou-lhes que aquela seria a primeira reunião preparatória para a organização de um novo clube. Disse que tinha sido designado pelo Governador Conti para ser seu Representante Especial e que estaria contando com a ajuda deles nesse empreendimento.

Lisonjeados com o convite, os companheiros logo concordaram em auxiliá-lo no que fosse preciso.

Em primeiro lugar, o que era preciso fazer? Como iriam proceder? Procuraram orientação no Manual de Expansão e tomaram as primeiras providências.

É mais uma vez Alcir que nos explica: “O clube do Representante geralmente é o clube padrinho.” Nesse caso o Araribóia. “O clube padrinho assume a responsabilidade de auxiliar o representante oficial do governador a planejar e organizar o novo clube. O secretário do clube padrinho secretaria as reuniões de organização.” Naquele período, o Araribóia estava sendo presidido pelo Backer, Edyr Backer, e o secretário era Joel Rodrigues Teixeira.

No entanto, não pensemos nós que todo o processo de organização transcorreu de forma tranquila e fácil. Longe disso.

Segundo o Manual de Procedimento, “o clube” já existente “poderá ceder parte de seu território para a organização de um clube adicional, ou poderá aprovar a organização de um clube adicional que compartilhe o mesmo território.”

O grupo organizador liderado por Alcir optou pelo compartilhamento do território com os clubes existentes. Necessariamente estes teriam que se declarar favoráveis à criação de mais um clube. Como já existiam cinco clubes em Niterói e outro provisório, o RC Niterói Pendotiba, a ideia da criação de mais uma unidade rotária não foi aceita de imediato.

Os clubes existentes convocaram seus sócios para assembleias gerais extraordinárias onde o assunto foi colocado em pauta.

De acordo com registros do nosso clube, o RC Niterói Leste, em Assembleia convocada para esse fim, declarou-se favorável à sua criação. Já na pauta da Assembleia, realizada no RC Niterói em 7/10/93, constam, entre outros pontos, a “cessão ou co-participação de território para organizar o RC Niterói Pendotiba” e “a discussão e deliberação sobre a cessão ou co-participação de território para organizar uma unidade rotária, sem local e nome ainda definidos, supondo-se ser estabelecida em café-da-manhã”. No entanto, as decisões tomadas não foram favoráveis ao novo clube… no princípio.

As primeiras dificuldades estavam surgindo. Alguns companheiros do grupo organizador do novo clube, entre eles Paulo Façanha, procuraram o RC Niterói para saber as razões da negativa e, na tentativa de resolver esse impasse, intercederam junto à diretoria daquele clube em favor do novo.

Não conhecemos o teor dessas conversas. Sabemos, apenas, que elas foram bem sucedidas. Em 9 de novembro, o RC Niterói enviou uma carta ao presidente do Araribóia, Edyr Backer, dizendo que vinham “por meio desta, […] trazer ao conhecimento do prezado Presidente que, em Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 4 do corrente, aprovou pelo voto afirmativo da maioria dos sócios presentes, em compartilhar o território com o Rotary Club […] em formação, conforme solicitação do Governador José França Conti”. Podemos imaginar a alegria de Alcir e dos outros companheiros, verificando que a situação havia chegado a um bom termo.

Saíram, então, em busca de amigos e conhecidos, rotarianos em potencial, que pudessem compor o quadro social do clube, e de um lugar onde o novo clube pudesse realizar as suas reuniões.

Quanto ao primeiro item não tiveram dificuldades, de início. Contavam já com doze empresários: oito frequentavam a sauna matinal no Clube Central e mais quatro do Icaraí Praia Clube, o IPC, além de outros conhecidos convidados anteriormente, que, somados, perfaziam o número mínimo para a criação do novo clube.

Mas encontrar o local ideal para as reuniões não foi fácil. Os responsáveis dos restaurantes e clubes não se mostraram muito interessados no propósito de Alcir.

Por fim, Alcir procurou o presidente do Clube Central e falou-lhe de sua missão. Este concordou prontamente com a ideia. Entraram em acordo e acertaram dia e hora. Mas no dia combinado, Alcir foi à sede do clube, na Praia de Icaraí, e lá, alegando diversos motivos, disseram-lhe que, infelizmente, não seria possível realizar as reuniões e desfizeram o trato. Alcir entrou em pânico. E agora? Já havia visitado tantos lugares… Hélio Abicalil voltou a conversar com os dirigentes do Clube Central, mas de nada adiantou.

A história com o Restaurante La Mole na Praia de Icaraí foi muito parecida.

Alcir entrou em contato com os responsáveis do restaurante. Apresentou-lhes o motivo. Apesar de o La Mole não abrir regularmente para refeições matinais, analisaram a proposta com simpatia e chegaram a um resultado positivo.

Na data aprazada, Alcir se encaminhou ao local. Mas… não contava com aquilo: o restaurante estava fechado! Temendo o mesmo desfecho do Clube Central, acabou realizando a reunião na varanda com a presença de apenas dois (!) companheiros.

Num novo contato com o gerente, Alcir finalmente concretizou o acordo, mas não sem ônus: comprometeu-se a levar um grupo de pelo menos dez pessoas, complementando as dez refeições do próprio bolso em cada reunião, caso viesse um número inferior.

A essa altura o clube já tinha recebido o seu nome definitivo, “um nome que o identifique com a sua localidade e outra designação adicional que o distinga dos outros”: Niterói Icaraí. Uma boa parte da documentação necessária para a sua admissão já estava pronta. Providências do Joel, competente secretário do clube padrinho. Faltava somente preencher o Pedido de Admissão ao Rotary Internacional com recomendação do Representante do Governador e a Lista de Sócios Fundadores.

Enquanto isso, as reuniões preparatórias estavam prosseguindo. Apesar dos avanços, Alcir começava a ficar preocupado. Continuava pequeno o número de pessoas nas reuniões, pois o mínimo exigido pelo Rotary International para fundação de um novo clube eram 25 pessoas…

Apesar do apoio do Backer e de todo o Araribóia, Alcir estava a ponto de desistir da empreitada. Chegou a telefonar para o governador, dizendo que não poderia mais continuar. Mas Conti não desanimou e insistiu: “Você vai conseguir!” Não tinha dúvidas de que Alcir daria conta do recado. E estava certo.

Sabendo da situação, Waldenir veio socorrê-lo. Dias antes tinha feito contato com Roberto Carlos Monteiro. Nessa época, Roberto era delegado da ADESG, Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, no Estado do Rio, acumulando com a Representação da mesma ADESG em Niterói. Portanto, estava em contato permanente com vários grupos de estagiários dos Ciclos de Estudos de Política e Estratégia.

Alcir e Roberto já se conheciam há muitos anos. Ainda dos tempos de infância em Campos. Waldenir tinha conhecimento disso e apostava na antiga amizade de ambos.

Não deu outra.

O ciclo de 1993 da ADESG em Niterói havia se encerrado não fazia tanto tempo, em setembro. Todo o grupo mantinha-se em contato. Os integrantes do XI e do XII CEPE se encontravam constantemente. Foi assim que, a convite de Roberto Carlos, alguns dos seus integrantes começaram a participar das reuniões do Icaraí. E, a partir daí, o grupo foi aumentando e tomando forma.

Diz o Manual de Expansão: “Se o grupo organizador decidir reunir-se regularmente todas as semanas, será considerado como ‘Rotary Club provisório’ até a data de sua admissão no Rotary Internacional.”

Após os entendimentos com o Restaurante La Mole, as reuniões passaram a se realizar com regularidade: todas as quartas-feiras, das 8 às 9 horas, no café-da-manhã.

A primeira reunião foi realizada no dia 17 de novembro de 1993. Dessa data em diante, o Icaraí deixou de ser um clube “em formação” e foi declarado “provisório”.

 

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