Acácia Brazil de Mello, a grande Dama da Harpa e do Rotary

Acácia Brazil de Mello (1921-2008) teve presença marcante e importante no Rotary, em particular na cidade de Niterói. Musicista, destacou-se como harpista profissional e como professora ilustre desse instrumento. Do livro Memórias, comemorativo dos 90 anos do Rotary Club de Niterói, clube mater do nosso Distrito 4750, de autoria de Matilde Carone Slaibi Conti*, reproduzimos um pequena biografia da Profª Acácia, inspiradora de tantas alunas e alunos de harpa e dos colegas músicos de seu tempo.

 

“Acácia nasceu em Niterói, filha do renomado cientista Vital Brazil, conhecido internacionalmente pelo trabalho que realizou no campo da pesquisa médica. Desde os 9 anos começou a se dedicar ao estudo da harpa, instrumento que seu pai muito admirava.

Segundo ela, desde que nasceu foi destinada a tocar harpa.

Foi uma pioneira representante de todas aquelas mulheres que, no passado, não se conformaram em ser apenas ornamentos das festas de Rotary, tendo todas elas desenvolvido um criativo modo de realizar trabalhos assistenciais junto às comunidades carentes, através das Casas da Amizade.

Casou-se aos 18 anos, em 1939, com Ernesto Imbassahy de Mello que, na época, era secretário do Rotary Club de Niterói.

Em todas as assembleias internacionais (de Rotary International) ela acompanhava seu marido com entusiasmo, pronta a fazer um ambiente favorável e agradável com música, tocando sempre sua harpa e com ela trazendo muita alegria e encantamento.

Acácia Brazil de Mello foi a primeira presidente da Casa da Amizade de Niterói que nessa época, em 1949, funcionava na residência do casal Margarida e Thomaz Lima, no tradicional bairro do Ingá.

Em 1963, começou a tocar harpa na Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Ministério da Educação e Cultura, MEC, por isso, foi morar no Rio de Janeiro.

Em maio de 1998 gravou um CD patrocinado por rotarianos de São Paulo, logo esgotado, sendo que este foi o primeiro CD a levar a beleza musical através da harpa, em todo o país, configurando um grande sucesso musical.

Pessoa doce, terna, simples, conquistando amigos pela imensa simpatia, elegância no trato e tendo suaves e doces olhos azuis, os quais transmitiam muita paz.

Ela tornou-se um símbolo do Rotary, uma personalidade sem dúvida alguma, admirada e querida internacionalmente com vasta experiência e grandiosa história de vida. Foi um exemplo para todos.

Nosso eterno reconhecimento a tão ilustre figura.”

 

* A autora é cirurgiã-dentista, advogada, professora universitária e psicanalista. É membro de instituições, como o IAB, Rotary, Elos, e de diversas academias de letras.

 

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Acácia Brazil de Mello

Nasceu em Niterói (RJ) no dia 24 de maio de 1921, filha de Dinah Carneiro Vianna e do cientista Vital Brazil Mineiro da Campanha.

Acácia iniciou seus estudos musicais ainda muito menina. Em 1930, com a chegada ao Brasil da harpista espanhola Lea Bach, pôde começar o aprendizado do instrumento que viria a consagrá-la. Estreou aos 10 anos, em 23 de agosto de 1931, no Teatro Cassino (RJ), acompanhando sua professora. Formou-se na Escola Nacional de Música da então Universidade do Brasil em 1939. Em dezembro desse mesmo ano casou-se com Ernesto Imbassahy de Mello, com quem teve três filhos: Lívia, Raul e Luiz Ernesto.

Sua longa carreira de musicista confunde-se com a história da harpa no Brasil. No campo da educação musical, Acácia foi uma das principais responsáveis pela formação de gerações de harpistas no país.

Integrou a Orquestra Sinfônica Brasileira e a Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC como primeira harpista. Formou diversos duos, trios, quartetos e conjuntos, atuando com importantes instrumentistas como Maria Célia Machado e Wanda Eichbauer, entre outros. Na década de 60 fundou a Camerata do Rio, junto com a flautista Odette Ernest Dias, a celista Ana Devos e os violinistas Vera Astrakan e Marcelo Pompeu Filho. Foi fundadora, diretora e consultora da American Harp Society, da Corporation of World Harp Congress (EUA) e da Sociedade Ludovico (Espanha). Implantou no Brasil, em 1977, a seção brasileira da American Harp Society, instituição da qual foi presidente por três períodos consecutivos. Apresentou-se como camerista e recitalista na Europa, Ásia e Américas do Norte e do Sul, sempre obtendo reconhecimento do público e da crítica. Foi jurada dos mais importantes concursos internacionais de harpa e conferencista nos congressos mundiais desse instrumento realizados na Holanda, Israel e Áustria. Publicou trabalhos e artigos como “A harpa na orquestra”, “Origem da música brasileira” e “Uma música nascida das vozes da floresta”.

Acácia Brazil de Mello foi uma das maiores expressões brasileiras da harpa, instrumento símbolo dos anjos e comumente associado ao toque feminino.

(Faleceu no dia 28 de outubro de 2008 aos 87 anos.)

Fontes: Fon-fon, ago 1931; Entrevista concedida à equipe de pesquisa em fevereiro de 2000. (Dicionário Mulheres do Brasil, de Schuma Schumacher e Érico Vital Brasil, Editora Zahar, 2000.)