Iniciativa de condomínio ajuda crianças de comunidade em Niterói

Danielle Rabello, O Fluminense

Foto: O Fluminense

Doação no sentido mais amplo da palavra. Este é o espírito que move a Ação Social Ubá V, uma iniciativa solidária que há 17 anos contribui com a melhoria da qualidade de vida da comunidade do Morro da Cocada, no Largo da Batalha, Niterói. Muito mais que ofertas e recursos materiais, os moradores do condomínio doam seu tempo e aptidões para ajudar os vizinhos de muro.

De acordo com a criadora do projeto, a secretária Maria Cristina da Matta Moldan, de 52 anos, a ideia surgiu quando ela ainda construía sua casa no condomínio Ubá V, há cerca de 20 anos.

“O muro do condomínio faz divisa com a comunidade. Quando vim morar aqui começamos a ver os contrastes. Este é um condomínio de classe média, a maioria de moradores é de comerciantes da própria região. E os moradores da comunidade são humildes e trabalhadores. Eu via as crianças muitas vezes disputando uma bola já surrada enquanto as nossas crianças tinham brinquedos bons”, contou Cristina.

Vendo esta realidade, a secretária resolveu fazer algo no Natal de 1992, quando começou a motivar as crianças do condomínio a doarem os brinquedos que não usavam mais.

“Batemos de porta em porta pedindo aos vizinhos brinquedos e arrecadamos mais do que esperávamos. A partir daí, começamos a nos organizar e pensar em uma maneira de incentivar a educação. Naquela época, fizemos o cadastro de 90 crianças, hoje já são 170, de zero a 12 anos”, lembra a criadora do projeto.

Após a experiência do Natal, o grupo formado por seis moradoras voluntárias resolveu, então, doar material escolar às crianças da comunidade. Os kits incluem de mochila a borracha. Alunos mais velhos ganham também dicionários e livros infanto-juvenis.

“Quem não sabe ler, não sabe escrever. Procuramos incentivá-los nessa prática”, conta Maria Cristina.

Ao longo desses 17 anos, o projeto cresceu. Atualmente, os recursos para este trabalho vêm de uma cota mensal incluída no boleto do condomínio de todos os moradores do Ubá V. A medida foi aprovada em assembleia.

Ação em plena expansão

Com o passar dos anos, a Ação Social foi se expandindo. De 2002 a 2007, os voluntários desenvolveram um trabalho com os adolescentes, que já haviam passado da idade para ficar no projeto infantil. Uma equipe multidisciplinar realizava reuniões mensais com os adolescentes para acompanhá-los, promoviam passeios e encaminhava para o mercado de trabalho.

Depois disso, a Ação começou a apoiar a criação e o desenvolvimento da Cooperativa das Mulheres Arteiras do Morro da Cocada, que se traduz em trabalho e renda para a comunidade.

“A semente partiu de um curso de artesanato que realizamos em parceria com o Programa Habitar Brasil, hoje substituído pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O poder público nunca vai dar conta da demanda que existe”, afirma Cristina.