O Norte do Rio de Janeiro: Carta de socorro aos rotarianos

Revista Brasil Rotário, fevereiro 2009, p.21

Em dezembro, o Norte fluminense também sofreu com a fúria das águas, embora a região tenha recebido pouco espaço na mídia. O nível dos rios Carangola, Muriaé, Pomba, Itabapoana e Paraíba subiu e diversos municípios entraram em estado de emergência.

Abaixo o depoimento, em forma de carta, de Márcio Pereira ribeiro, governador do Distrito 4750, área que compreende o Norte e Nordeste do Estado do Rio de Janeiro:

“Socorro, apelam cerca de 60 mil seres humanos desalojados de suas casas, afastados de suas plantações e atividades agropastoris. os rios que dão vida às lavouras, animais e pessoas são os mesmos que os expulsaram para as regiões mais altas.

Em nosso distrito ocorreram três inundações, uma na antevéspera do Natal, a segunda na virada do ano e a última em 6 de janeiro.

No período mais crítico, ficamos impossibilitados de retornar a Campos, pois o rio Ururaí estava inundando a BR 116 e a ponte.

Os clubes rotários baseados em Campos, Itaperuna, São Francisco de Itabapoana, Itaocara, Bom Jesus do Itabapoana, Pádua e Conceição de Macabu já nada podem fazer a não ser pedir socorro. Os rotarianos do distrito, amigos e companheiros têm atendido na medida do possível.

Os desabrigados pedem leite, mas não em pó, pois não há água potável para diluí-lo. Ligaram-nos rotarianos de Porciúncula solicitando material de higiene, alimentos, roupas e água potável.

Visitamos creches em que crianças pediam mais banana, e a coordenação falava que não podia dar, pois faltaria para o jantar.

Em outra cidade foram lidas na reunião plenária algumas cartas escritas pelas crianças. Chamou-nos a atenção aquela que pedia uma maçã, pois acriança nunca havia comido uma inteira.

Compare essas ocorrências com seu modo de vida e como você vê o desenrolar dos fatos. Compare com o que é desperdiçado e veja que temos muito a agradecer. Já se imaginou sem renda, sem comida, sem roupa, sem casa?

Mas amanhã será outro dia, rotarianos fluminenses. Haveremos de lembrar que fazemos a diferença, realizando os sonhos.”

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